Tem uma minissérie/documentário na Netflix chamada Trust Me: The False Prophet, e eu comecei a assistir meio que por curiosidade. Eu tenho esse costume de me interessar por histórias sobre seitas religiosas, mas ao mesmo tempo isso me deixa meio desconfortável, tipo “por que eu quero ver isso?”, sabe? Ainda assim, eu queria entender o que rolava ali.
Uma coisa que eu não sabia é que esse documentário é quase uma continuação de outro da Netflix, o Keep Sweet: Pray and Obey (“Rezar e Obedecer”). Só descobri depois (e ainda não assisti), mas dá pra assistir esse aqui sozinho.
Aqui, a história não é sobre o começo de tudo, mas sim sobre o que acontece depois que o profeta deles é preso — e com acusações bem pesadas. Só que, pra quem está lá dentro da comunidade, nada disso é verdade. Eles continuam acreditando nele, porque literalmente viviam pra fazer o que ele mandava. Então, quando ele some, as pessoas ficam meio perdidas, principalmente as mulheres.
Essa parte me pegou bastante. A comunidade gira em torno de poligamia, então você tem várias esposas, vários filhos, e uma dependência total daquele sistema. Quando tudo desmorona, essas mulheres ficam sem saber o que fazer, sem como se sustentar, sem direção nenhuma, muitas vezes dependendo da boa vontade de outras pessoas pra sobreviver.
E aí, do nada, aparece outro cara. Um cara que não tinha nada, sem dinheiro, sem relevância, e ele começa a dizer que o antigo profeta não estava mais entre eles, que era tudo manipulado que ele ainda estava lá preso e tudo mais, e que agora ele é quem está recebendo as ‘mensagens’ diretamente de Deus e do antigo profeta. E isso funciona — as pessoas acreditam.
Só que, assistindo, você começa a perceber que isso não é tão absurdo quanto parece. Não é só sobre acreditar ou não, é sobre necessidade. Eles precisavam de alguém pra seguir, de um norte. E aí esse cara começa a crescer dentro da comunidade, ganha apoio, ganha dinheiro, ganha poder… e tudo começa de novo.
Tem muita coisa que o documentário não mostra diretamente, mas fica subentendido. E só isso já é suficiente pra ser pesado, principalmente quando envolve crianças e adolescentes. Aí não tem muito o que discutir, é realmente muito triste.
Nem dá para dizer que isso seria sorte, mas graças ao ego desse tipo de gente, é que possibilita somar provas contra elas. É depoimentos, desbafos, diários, está tudo lá. Talvez até alguns registros em vídeo.
E o pior é que, mesmo com provas, com relatos, com tudo documentado, demora muito pra polícia agir. Isso dá uma sensação de impotência enorme.
No final, o que eu senti falta foi de ver mais do depois. Tem alguns depoimentos, sim, mas dá pra perceber que ainda é tudo muito recente, que as pessoas ainda não estão bem. E isso me deixou com várias perguntas: o que aconteceu com quem ficou lá? Será que apareceu outro profeta? Será que alguém realmente conseguiu sair dessa mentalidade?
Eu terminei o documentário bem abalada. Caramba eram muitas meninas, novinhas demais (gente algumas tinha nem 10 anos!!). É difícil de assistir, eu chorei bastante. Mas, ao mesmo tempo, me prendeu muito e me deixou bastante reflexiva.
Se você gosta de tentar entender por que esse tipo de coisa acontece, como acontece, eu acho que vale a pena assistir. Só vai sabendo que não é nada leve.
